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GUILHERME DE ASSIS BRASIL

Guilherme de Assis Brasil

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May 06

Viva a crise

Há algum tempo estamos praticamente vivendo de crises. Os noticiários variam o foco, mas sempre temos uma no centro das atenções. São crises sociais, políticas e mais recentemente tivemos a grande crise do sistema financeiro mundial e a poderosa “gripe suína”, que para não prejudicar ainda mais o sistema financeiro (suinocultores) passou a ser chamada de “influenza A (H1N1)", ou “gripe A” para os leigos como eu.

 

Essa incrível avalanche de crises despertou minha curiosidade em busca das origens dessa tão temida palavra e para minha surpresa descobri que ela está fortemente ligada ao conceito de mudança. O interessante é que se olharmos de maneira cética, um momento de crise nada mais é que um momento de mudança e essa é outra palavra que naturalmente incomoda a maioria das pessoas.

 

Por vezes, tenho a impressão que foi desenvolvido um modelo mental baseado na lei da inércia. Isso mesmo, inércia! Como aprendemos nas aulas de física do segundo grau, inércia é a tendência que um corpo tem de se manter em repouso ou movimento retilíneo uniforme caso não haja qualquer força externa atuando sobre ele. Algo do tipo: se está bom... para que mudar? E isso automaticamente se transforma em uma frase mais impositiva na cabeça de muitos que diz: crise é ruim!

 

Ironicamente, nesse momento de crises em série, comemoramos os 200 anos do nascimento de Darwin, o brilhante pensador que disse que não é o mais forte ou o mais inteligente que sobrevive, e sim o mais adaptável às mudanças.

 

Enfim, deixando de lado o jargão que “toda crise traz oportunidades”, acredito que o mais importante é não complicar e ficar atento, pois se o ambiente está mudando, o que temos que fazer é simplesmente nos adaptar.

 

Esto Simplex

October 22

Uma simples burocracia

Acredita-se que o termo burocracia foi utilizado pela primeira vez por volta de 1740 na França e mais de 100 anos depois foi motivo de estudos e apreciações acadêmicas do alemão Max Weber.  Como jurista, sociólogo e economista, Weber sistematizou os conceitos de uma organização burocrática e foi o pai da Teoria da Burocracia.

Atualmente, associamos quase que instintivamente a burocracia a processos administrativos ineficientes, chegando a ser chamada por alguns de “burrocracia”. O mais interessante é que por essência, a burocracia não é uma prática ruim, o problema é que de alguma forma ela passou a ser utilizada de forma muito complexa e por esse motivo ajudou a emperrar os fluxos operacionais dos ambientes em que foi instaurada.

A verdade é que é praticamente impossível encontrar uma organização moderna, seja ela pública ou privada, que não tenha alguma característica burocrática, nem que seja pelo menos a hierarquização da autoridade. Portanto, sendo de nossa vontade ou não, a burocracia faz parte das nossas vidas.

Paradoxalmente, olhando o entendimento empírico que hoje temos do termo burocracia,  podemos nos apoiar no processo burocrático, mas torná-lo mais eficiente. Isso pode parecer estranho, mas na prática qualquer processo documentado é essencialmente burocrático e cabe ao profissional moderno transformá-lo em eficientemente claro e simples.  

Uma forma clara da complicação do processo burocrático é a proliferação de pseudo-lideranças nas empresas. Geralmente um gerente que aumenta a sua equipe acaba por adicionar líderes a esse time para filtrar as demandas.  Possivelmente,  uma boa descrição de responsabilidades de cada colaborador dessa equipe fosse suficiente para dotar esses profissionais da capacidade de decisão, sem que assim demandas excessivas sejam encaminhadas ao gerente. Esse tipo de documentação burocrática está inserido no conceito de racionalidade e divisão do trabalho, que se usado de maneira clara e simples pode tornar o trabalho mais eficiente.

Enfim, somos nós mesmo que tornamos a burocracia um obstáculo. Vamos simplificá-la para que ela seja nossa aliada.

Esto simplex.

October 15

Seja simples

Adquiri o gosto pela tecnologia ainda bem jovem, quando tive contato com os primeiros videogames, e de jogador de Atari eu me tornei um profissional da área de TI (Tecnologia da Informação). Como era de se esperar de alguém que usou TK80 (http://pt.wikipedia.org/wiki/TK80) e ganhou seu Gradiente Expert (padrão MSX - http://pt.wikipedia.org/wiki/MSX) com aproximadamente 10 anos de idade construí uma carreira na área técnica de TI.

 

Assim como eu, um grande número de profissionais envolvido na área de TI vieram do “mundo técnico” e o lema era: se é bom, tem que ser complexo. Enfim, por muitos anos o foco de qualquer coisa que envolvesse tecnologia era a própria tecnologia, e não a forma dessa tecnologia interagir com seus usufrutuários.

 

Eu consigo me recordar facilmente de como era complexo programar um vídeo cassete para gravar um programa de televisão em um determinado horário, isso era até motivo de piadas. Mas recentemente, um dos diretores da empresa que trabalho brincou comigo dizendo que o aparelho de telefone da mesa dele foi feito por engenheiros para uso exclusivo de engenheiros, afinal, porque ele deveria saber que uma “bolinha” é a função “flash” e o que são todos os outros símbolos daquele aparelho que tem uma proposta tão simples... falar com uma pessoal que está distante.

 

Se pararmos para observar, essa tendência natural de complicar as coisas não está apenas no mundo da tecnologia, onde isso é mais evidente, mas muitas vezes nas nossas ações cotidianas do trabalho e até da vida pessoal.

 

Acredito que de forma talvez não consciente temos buscado coisas mais simples. Se avaliarmos três grandes sucessos recentes da indústria da tecnologia, poderemos constatar essa busca facilmente. Estou falando do Google, do IPod e do Iphone. O que essas três maravilhas têm em comum? A busca por uma interface mais simples com o usufrutuário. Até nossas televisões se tornaram complicadas, e nessa onde de melhorar a interface a PHILIPS lançou a campanha “sense and simplicity”.

 

Enfim, precisamos voltar a fazer com que as coisas sejam evidentes, de fácil compreensão a todos e dessa forma lanço a minha campanha pessoal “esto simplex”.

 

“Esto simplex” é uma expressão em latim que significa “seja simples”, e é isso que vou buscar a partir de agora. Mesmo que algo tenha um desenvolvimento complexo, a apresentação do resultado final deve ser simples.

 

Então... esto simplex.